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Velha infância

O verde das arvores, o sol no rosto.
A corrida até em casa, o banho quente.
O galope a cavalo, as quedas.
Os sorrisos, o amor.
As lembranças, saudade.
 A melhor infância, eu posso dizer que tive. Bastava um grito na rua, e todo mundo se juntava pra se esconder. “Quem vai contar?” “Vamos bater, par ou impar.” Geralmente eu sobrava na contagem, e atrás dos carros, arvores e postes, encontrava o melhor dos presentes: um sorriso. “Titoler salve todos.” Quem era Titoler? Um tipo de santo? Não sei, mas não é que eu acreditava que ele me salvaria mesmo?
Os bolos de terra, e o suco de água suja, marcaram a merenda da tarde em minha primeira casa: a rua. Ralados no joelho e os banhos de chuva eram os melhores, era uma festa ficar na janela de casa, enquanto a água escorria. Lógico, as vezes eu não agüenta e saia pra tomar banho nas poças de água, era a maior diversão! Todas as crianças da rua se juntavam pra guerra de água, água de paz. Depois do banho, casacos e mais casacos, ganhava um cobertor e um filme no colo da minha mãe. Sinto saudade de quando tudo era simples, que até o respirar era de pura felicidade, onde ninguém se preocupava em como o outro era, em sua cor da pele, a casa onde morava, ou o dinheiro que tinha, sabíamos que aquilo não importava, contanto que estivéssemos juntos, estava tudo resolvido. As vezes, o destino nos prega peças, muitas acabam e deixam um gosto de saudade, já fiz meu papel de atriz, e amei atuar, a peça era formada por mim, e meus passos, não tinha roteiro, e não precisava de maquiagem nenhuma, foi umas das melhores experiências da minha vida, agora, tenho um novo caminho a trilhar, espero fazer o certo, se não pronuncio um: “Corta!”, e faço de novo, porque, eu sou a escritora, da minha maior peça, a vida.



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